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Divulgação Científica

DNA de animal sul americano catalogado por Darwin há 180 anos é desvendado


Sex, 07 de Julho de 2017

O 'Macrauchenia patachonica' possuía várias adaptações evolutivas notáveis, incluindo o posicionamento das narinas no alto da cabeça; segundo os cientistas, isso indica que o animal, parente dos cavalos, rinocerontes e antas, tinha uma tromba móvel (Ilustração: Peter Schouten)Um estudo recém-publicado pela revista científica Nature Communications desvendou um mistério que atravessou quase dois séculos: pesquisadores conseguiram analisar o DNA de uma inusitada espécie de mamífero que viveu na América do Sul durante o período glacial e determinar sua posição no reino animal. O artigo A mitogenomic timetree for Darwin’s enigmatic South American mammal Macrauchenia patachonica está disponível em texto completo por meio do Portal de Periódicos da CAPES.

A mistura incomum de traços morfológicos exibidos por extintos animais nativos da América do Sul (South American native ungulates – SANUs) confundiram o naturalista britânico Charles Darwin, que os descobriu, e o paleontologista Richard Owen, com quem Darwin compartilhou sua descoberta. A espécie foi considerada por Darwin como a mais estranha já descoberta.

O animal apresentava uma curiosa combinação de características: parecia ter corpo semelhante ao do camelo, cabeça de anta, pescoço e pernas compridas e uma tromba no alto da cabeça. Inicialmente, Owen sugeriu um parentesco com a lhama, por causa do pescoço comprido, mas a hipótese foi derrubada assim que se encontraram novos fósseis. Depois de várias tentativas, Owen não chegou a uma conclusão que fosse amplamente aceita.

Mapa de locais onde foram encontrados fósseis do Machauchenia (Figura: Nature Communications)O recente estudo liderado pelo especialista em paleogenômica Michi Hofreiter, da Universidade de Postdam (Alemanha), e pelo especialista em mamíferos Ross MacPhee, curador do Museu Americano de História Natural (Estados Unidos), confirmou que o animal pertence ao grupo dos Perissodáctilos, que inclui os cavalos, as zebras, os rinocerontes e as antas.

"O DNA mitocondrial é muito útil para avaliar o grau de parentesco entre as espécies. Nosso estudo corrobora e amplia os resultados de outra análise molecular publicada há dois anos, que utilizou as proteínas de colágeno para inferir os parentescos. Como naquele estudo, descobrimos que os parentes vivos mais próximos da Macrauchenia são os Perissodáctilos", disse Hofreiter em notícia divulgada pelo jornal Estadão.

Os resultados completos podem ser visualizados no artigo científico publicado pelo Nature Communications. O título de acesso aberto publica pesquisas em todas as áreas das ciências naturais. Os trabalhos destacados pela revista científica representam importantes avanços de importância para especialistas de diversos campos. Para acessar a publicação pela biblioteca virtual da CAPES, entre na opção Buscar periódico – ou copie e cole o título do artigo no campo Buscar assunto.


Com informações do Estadão


Alice Oliveira dos Santos


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