Ir direto para menu de acessibilidade.
Inicio contedo da pgina

Notícias


Divulgação Científica

Estudo apresenta sensor de glicose nanoestruturado


Ter, 08 de Agosto de 2017

Uma equipe de pesquisadores dos institutos de Física e de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da qual a ex-bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Adriana Rodrigues faz parte, desenvolveu um dispositivo que mede glicose com sensibilidade e velocidade equivalentes às dos sensores que são atualmente comercializados. Feito de materiais compatíveis com tecidos vivos, o sensor tem potencial para ser implantado no corpo de pacientes diabéticos para que possam monitorar seus níveis de glicose em sangue de forma contínua.

O sensor foi desenvolvido no Laboratório de Espectroscopia de Elétrons da UFRGS, ao longo das pesquisas de mestrado e doutorado de Adriana Rodrigues realizadas com bolsas da CAPES e CNPq. Em ambos os trabalhos, Rodrigues teve orientação do professor Jonder Morais, do Instituto de Física da UFRGS, e co-orientação da professora Maria do Carmo Martins Alves, do Instituto de Química da mesma universidade.

Adriana Rodrigues (Foto: acervo pessoal)O sensor foi apresentado pelos pesquisadores em artigo publicado no periódico científico Applied Surface Science, da editora Elsevier, disponível no acervo do Portal de Periódicos. O artigo recebeu destaque da revista mediante uma matéria de divulgação científica, escrita em inglês, publicada na seção Highlighted articles do periódico. A matéria também foi publicada no site Materials Today, dedicado a novidades da pesquisa em materiais no mundo.

Para a pesquisadora, o apoio de agências de fomento como a CAPES é de fundamental importância na execução de pesquisas. “Além de fornecer o suporte financeiro para o desenvolvimento da pesquisa, a CAPES também forneceu a minha bolsa de mestrado. Acredito que sem essa contribuição a realização desse estudo não teria sido possível”, disse.

Dispositivo
O sensor gaúcho é composto por uma lâmina de aço inoxidável e um filme nanoestruturado, formado por nanocolunas de óxido de zinco (de cerca de 80 nm de diâmetro e 1 micrometro de comprimento), perpendiculares à base e cobertas por uma enzima chamada glicose oxidase.

Essa enzima é a responsável por desencadear e catalisar uma série de reações redox, que consistem na transferência de elétrons entre as moléculas. No final das reações, é gerado um sinal elétrico proporcional à concentração de glicose do meio em que o sensor está inserido. O óxido de zinco, além de ser um material semicondutor capaz de transmitir os sinais elétricos, permite a adesão das moléculas de glicose oxidase à sua superfície. Finalmente, o aço inox, material resistente e estável, além de conduzir os sinais elétricos por ser um metal, funcionou como um substrato estável para se depositar o óxido de zinco.

Inicialmente, a equipe testou vários procedimentos de produção de óxido de zinco de forma a controlar sua morfologia, e escolheu a chamada “deposição por banho químico”, um processo simples e barato. Outro desafio superado foi a imobilização das enzimas na superfície das nanocolunas de óxido de zinco. A partir de medidas realizadas no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, os cientistas conseguiram compreender melhor os fenômenos envolvidos na adesão da enzima ao óxido de zinco.

Para Adriana, o estudo tem um forte impacto na ciência, pois é a aplicacão direta de um material pesquisado, de um trabalho acadêmico que pode tornar mais simples e mais barato a aquisição do dispositivo para as pessoas que fazem uso diariamente de um sensor de glicose. “O impacto desse estudo para a realidade brasileira mostra que são necessários mais trabalhos focados na interacäo da indústria com a pesquisa. A possibilidade de comercializar esse tipo de sensor no futuro depende do investimento da indústria na produção do dispositivo”, completou.

Acesse aqui o artigo científico Rodrigues, A., et al. "Development and surface characterization of a glucose biosensor based on a nanocolumnar ZnO film," Applied Surface Science (2017).

Com informações do instituto Nacional de Engenharia de Superfícies e da CCS/CAPES

Alice Oliveira dos Santos


Notícias relacionadas

  • 20.06.18
  • 03:06
Brasil apresenta alta prevalência de doenças musculoesqueléticas crônicas
Pesquisa recém-publicada pelo BMC Public Health apresenta resultados sobre o problema e analisa sua associação com fatores demográficos, socioeconômicos, comportamentais e clínicos
  • 15.05.18
  • 03:05
Dejetos dispensados no mar sem tratamento podem refletir na contaminação de ostras e outros moluscos
Por serem comumente ingeridos crus, os animais podem transmitir diversos organismos patogênicos a quem os consome, provocando doenças do trato intestinal. Artigo publicado pelo periódico Water Research aborda o tema
  • 09.05.18
  • 03:05
Teoria final de Stephen Hawking sobre a origem do universo está disponível no Portal de Periódicos
Baseado na teoria das cordas, o estudo prevê que o universo é finito e muito mais simples do que dizem as várias teorias atuais sobre o Big Bang. Veja as formas de acessá-lo
  • 08.05.18
  • 03:05
Estudo analisa enorme quantidade de vírus gigantes encontrados no Brasil
Também foram avaliadas amostras da Antártida, mostrando a alta resistência que o grupo tem a diferentes temperaturas. Os resultados estão disponíveis em artigo publicado pelo periódico Virology Journal
  • 12.04.18
  • 03:04
Número de casos de câncer desencadeados por sobrepeso no Brasil pode dobrar até 2025
Para reverter o quadro, são necessárias políticas públicas que estimulem a alimentação saudável e a adoção de atividades físicas na rotina dos brasileiros. A temática foi discutida em artigo publicado pelo periódico Cancer Epidemiology
Fim do contedo da pgina