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Pesquisadora brasileira é premiada pela Linnean Society de Londres


Sexta, 20 Abril 2018

A tese de Thais Vasconcelos foi selecionada pela Linnean Society de Londres (Foto: acervo pessoal)Entre diversas pesquisas e produções científicas, a brasileira Thaís Vasconcelos é ganhadora da edição 2018 de uma das premiações mais cobiçadas do mundo da Biologia: a John C Marsden Medal, da Linnean Society, de Londres. A honraria é entregue à melhor tese de doutorado da área de Biologia para programas de pós-graduação do Reino Unido.

O título da tese premiada é, traduzido para o português, “Homogeneidade morfológica, heterogeneidade filogenética e complexidade sistemática em grupos de plantas com muitas espécies”. “Nela eu trabalhei com família Myrtaceae, um grupo de plantas com muitas espécies nos biomas brasileiros – incluindo, por exemplo, a pitanga e a jabuticaba –, para responder algumas perguntas na questão de biologia evolutiva”, conta Thaís.

“O que me interessou nessas plantas é que, às vezes, até espécies que não são aparentadas têm uma aparência muito similar. Esse tipo de questão contraintuitiva sempre estimulou a curiosidade de quem trabalha com evolução”, explica a cientista. Durante seu doutorado, iniciado em 2013 e concluído em 2017, Thaís teve quatro capítulos publicados em periódicos de botânica e biologia evolutiva: um no Botanical Journal of the Linnean Society, um no Annals of Botany, um no Perspectives in Plant Ecology, Evolution and Systematics e um no Molecular Phylogenetics and Evolution.

Os títulos fazem parte do acervo* do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). No momento, outros dois capítulos estão em fase de revisão para publicação em revistas científicas na área de biodiversidade.

A pesquisadora é bacharel em Ciência Biológicas e mestre em Botânica pela UnB(Foto: acervo pessoal)Thaís detalha como chegou à tese premiada pela Linnean Society: “durante minha carreira científica, não apenas no doutorado, trabalho identificando padrões evolutivos em plantas durante grandes escalas de tempo. Na tese, comparei material genético de diversas espécies da família Myrtaceae aqui no continente Americano e também no Sudeste Asiático e ilhas do Pacífico. Através da comparação e da análise das flores dessas espécies, consegui traçar a rota na colonização do continente Americano e compreender, um pouco, o porquê de elas serem todas tão parecidas”.

“Elas chegaram aqui provavelmente através da Antártida, quando ainda não era coberta por gelo, há 40 milhões de anos, vindas do continente onde hoje é a Nova Zelândia. As flores são plantas que se adaptaram muito bem à polinização pelas abelhas nativas, em um equilíbrio que dura há muitos milhões de anos. Por mudarem menos do que o esperado ao longo do tempo, essas plantas acabam sendo muito parecidas e difíceis de catalogar”, analisa.

Thaís foi bolsista da CAPES durante o doutorado - período em que desenvolveu a tese premiada (Foto: acervo pessoal)Thaís é bacharel em Ciência Biológicas e mestre em Botânica pela Universidade de Brasília (UnB). Ela classifica o período na universidade como fundamental para sua carreira. “Sempre me interessei pela riqueza das formas na natureza, por isso quis seguir a carreira de bióloga, mas comecei a perceber meu interesse e curiosidade em especial pela evolução das plantas durante as disciplinas de Botânica que cursei como aluna de graduação.

A pesquisadora foi estudar no Reino Unido graças a uma bolsa da CAPES – na época, pelo programa Ciência sem Fronteiras (CsF). “O apoio da CAPES foi fundamental para que eu pudesse fazer o doutorado lá. O programa não custeou somente minha bolsa, mas também as taxas da universidade onde eu estava registrada, a University College London, durante os quatro anos de doutorado. Nada disso sai barato e eu jamais conseguiria ter estudado lá se não tivesse a bolsa”, indica.

A cientista receberá a condecoração do prêmio John C Marsden Medal no dia 24 de maio, durante a celebração de aniversário da Linnean Society (Foto: acervo pessoal)“Oferecer oportunidades é importante para aumentar o impacto da ciência brasileira. Na minha área isso é ainda mais urgente, porque temos muito mais biodiversidade do que os países que mais investem em ciência, como os Estados Unidos e os países Europeus, mas muito menos investimento que eles. É imprescindível apoiar o máximo possível quem tem interesse por ciência, tanto para estudar fora, quanto para voltar e seguir a carreira no Brasil. Acabamos perdendo muita gente que poderia trazer avanços científicos ao país, porque essas pessoas se sentem desestimuladas a seguir carreira aqui”, lamenta.

“O meu trabalho, assim como todas as dissertações de mestrado e teses de doutorado do mundo, é importante para construir o conhecimento de base. Na minha opinião, a área acadêmica ainda é muito mal compreendida; quando se escuta falar que alguém ganhou um prêmio, como no meu caso, as pessoas acham que o trabalho tem um impacto maior que os outros. Eu não acho que isso seja necessariamente verdade”, avalia.

Ela conclui: “toda questão que um cientista ou um aluno de pós-graduação decide se debruçar sobre vale a pena ser respondida, mesmo que pareça sem importância para a maioria das pessoas ou que não tenha uma aplicação direta muito óbvia”. Thaís receberá a condecoração do prêmio John C Marsden Medal no dia 24 de maio, durante a celebração de aniversário da Linnean Society.

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Alice Oliveira dos Santos


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