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Divulgação Científica

Estudo analisa enorme quantidade de vírus gigantes encontrados no Brasil


Terça, 08 Maio 2018

Vírus gigantes formam um grupo composto por elementos que apresentam partículas com grandes dimensões quando comparadas à maioria dos vírus conhecidos (Imagem: Jônatas Abrahão)Desde a descoberta de vírus gigantes infectando amebas em 2003, muitos dogmas de virologia foram revisados e a busca pelos organismos foi intensificada. Nos últimos anos, vários novos grupos desses agentes foram descobertos em diferentes tipos de amostras e ambientes. Uma pesquisa recém-publicada pela revista científica Virology Journal – disponível em acesso aberto no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) – descreve o isolamento de 68 vírus gigantes identificados no Brasil e na Antártida.

Jônatas Abrahão, um dos autores do trabalho, explica que os vírus gigantes formam um grupo composto por elementos que apresentam partículas com grandes dimensões quando comparadas à maioria dos vírus conhecidos, podendo ser até maiores que algumas bactérias. “Além do tamanho, esses vírus possuem os maiores e mais complexos genomas já observados na virosfera, contendo, inclusive, genes que nunca haviam sido reportados em outros vírus”, avalia.

Grupo de trabalho responsável pela investigação (Foto: acervo pessoal)Segundo o cientista, os vírus gigantes (como os mimivírus, os pandoravírus e os tupanvírus) são os maiores representantes da virosfera. “Eles podem ser até 50 vezes maiores que um vírus comumente conhecido, como o da dengue. Entretanto sabemos, até o momento, que os vírus gigantes infectam somente amebas de vida livre e não há evidências suficientes que suportam a associação deles com alguma doença em humanos e outros animais”, sugere Abrahão.

O artigo científico Ubiquitous giants: a plethora of giant viruses found in Brazil and Antarctica apresenta resultados no que se refere ao isolamento de diferentes espécies virais, aumentando o conhecimento sobre a diversidade em ambientes brasileiros e da Antártida. Além disso, os pesquisadores contataram que a categoria tem alta resistência a diferentes temperaturas. “Foi possível observar a presença dos vírus gigantes tanto em ambientes com alta ação antropogênica, como a Lagoa da Pampulha (BH), como também em ambientes extremos e conservados (Antártida)”, conta o especialista.

Compreender a diversidade e a distribuição desses agentes em diferentes ambientes é necessário para ampliar o entendimento de outros aspectos que os envolvem, como detalha Abrahão: “esse tipo de estudo nos revela diversos fatores, como a relação existente com  hospedeiros, a maior ou menor complexidade do genoma de cada um dos vírus e até mesmo a evolução dos organismos, que ajudam a entender, inclusive, a evolução dos seres vivos como um todo”.

Minas Gerais tem o maior número de vírus gigantes isolados, sendo a grande maioria oriunda da Lagoa da Pampulha (Foto: Monique Renne)No Brasil os vírus gigantes já foram isolados em diversos estados e de diferentes tipos de amostras. O primeiro vírus gigante encontrado no país foi o sambavírus, isolado a partir de água coletada no Rio Negro, na Amazônia. “Além deste, temos os oystervírus, isolados a partir de água coletada nos estados da Bahia, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. No estado de Minas Gerais, temos o maior número de isolados, sendo a grande maioria oriunda da Lagoa da Pampulha. Entre eles, estão os primeiros isolados brasileiros de marseillevírus, pandoravírus e cedratvírus”, indica o pesquisador.

Além disso, através da análise de água de lagoas, rios e ambientes hospitalares foi possível o isolamento de centenas de mimivírus em Minas Gerais. O estado do Rio Grande do Sul abriga dois isolados, um marseillevírus e um mimivírus. Por fim, a última descoberta, vem dos estados do Mato Grosso do Sul (lagoas salinas) e do Rio de Janeiro (solo oceânico), onde foram isolados os tupanvírus.

Jônatas Abrahão foi bolsista da CAPES durante seus períodos de mestrado (2007-2008) e doutorado (2008-2010). Ele afirma a importância do Portal de Periódicos para o desenvolvimento do trabalho de pesquisa: “o Portal de Periódicos contribui muito na busca de artigos, não apenas sobre vírus gigantes, mas também para diversos outros assuntos e áreas. É uma ferramenta importante, pois facilita o acesso à informação, ampliando nosso conhecimento. A grande disponibilidade de conteúdo com qualidade e sem custo financeiro para o usuário é fundamental”.

Virology Journal (Imagem: BMC)O título Virology Journal (ISSN 1743-422X) pode ser localizado por meio do link buscar periódico do Portal. A publicação é revisada por pares e considera artigos sobre todos os aspectos da virologia, incluindo pesquisas sobre vírus humanos, animais, vegetais, insetos, bactérias e fungos. A revista científica inclui pesquisa básica, bem como estudos pré-clínicos e clínicos de novas ferramentas de diagnóstico, vacinas e terapias antivirais. Contempla ainda abordagens e técnicas utilizadas que abranjam outras disciplinas, como genética molecular, biologia molecular, bioquímica, biofísica, biologia estrutural, biologia celular, imunologia, morfologia, genética e patogênese.

Por ser um periódico de acesso aberto, Virology Journal está disponível a toda a comunidade acadêmica, incluindo usuários que não integram as instituições participantes do Portal de Periódicos.

A reprodução parcial ou total de notícias é autorizada desde que seja citada a fonte: "Portal de Periódicos da CAPES”

 

Alice Oliveira dos Santos


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