Artigo Acesso aberto Produção Nacional Revisado por pares

As bienais e a Bienal

2020; UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE; Volume: 14; Issue: 26 Linguagem: Português

10.22409/1981-4062/v26i/334

ISSN

1981-4062

Autores

Aline Luize Biernastki,

Tópico(s)

Cultural Industries and Urban Development

Resumo

Analisando um panorama de mais de trezentas bienais internacionais de arte contemporânea em todo o globo alguns teóricos oferecem alternativas para entender o surgimento exponencial dessas megaexposições desde os anos 1990. Discuto, neste ensaio, as informações reunidas pelo periódico da Universidade de Zurique, OnCurating, face às proposições de classificação do historiador Anthony Gardner, para então sugerir que é preciso interpretar as bienais de arte com base em seus usos políticos, em vista dos recentes processos de globalização e do que o curador nigeriano Okwui Enwezor chamou de “vontade de globalidade”. Pretendo demonstrar que, ao se investigar as razões e os impactos das megaexposições de arte na contemporaneidade, os aspectos políticos que podem identificar cada uma delas devem ser apontados devido à genealogia ligada às relações internacionais. O argumento está apoiado inicialmente por quatro exemplos de bienais em diferentes partes do mundo, seguidos por um estudo sobre as edições de 2017 e 2019 da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba – duas exposições que homenagearam, respectivamente, a China e o grupo político BRICS. Por fim, concluo que os dois eventos realizados na capital paranaense foram pensados por seus organizadores como “agências de relações internacionais”, com propósito de favorecer a cooperação entre países no plano político e econômico, mas sobretudo de beneficiar a instituição promotora, ampliando tanto suas relações políticas quanto as diplomáticas, capazes de promover sua expansão espacial e financeira na busca por maior visibilidade global.

Referência(s)