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Produção científica

Aquecimento de adoçante pode provocar liberação de compostos tóxicos


Terça, 21 Junho 2016

Aquecimento de adoçante pode provocar liberação de compostos tóxicos (Imagem: Google Imagens)O adoçante utilizado diariamente no cafezinho e em outros alimentos pode não ser tão inofensivo quanto parece. Estudo publicado no Scientific Reports, do Grupo Nature, mostra que, após o aquecimento do adoçante sucralose, há a liberação de alguns compostos potencialmente tóxicos. O título da pesquisa é “Thermal degradation of sucralose: a combination of analytical methods to determine stability and chlorinated byproducts” e a publicação está disponível para acesso pelos usuários do Portal de Periódicos da Capes.

Segundo o artigo, a sucralose é atualmente o adoçante artificial mais utilizado no mundo, tanto para fins industriais como para uso pessoal. Embora seja inicialmente considerada segura, o estudo identificou alguns efeitos biológicos intrínsecos exibidos pela sucralose, bem como o potencial que sua estrutura tem de liberar compostos tóxicos quando exposta a condições de temperatura altas. “Já no ponto de fervura, começa a ocorrer a liberação de elementos como o ácido clorídrico”, revela Rodrigo Ramos Catharino, um dos cientistas responsáveis pelo trabalho.

Ainda não se sabe ao certo quais são os prejuízos para quem ingere o produto que sofre essa alteração. Entretanto, são conhecidos os efeitos negativos de alguns compostos identificados no estudo. “No gás, observamos a presença do ácido clorídrico, que pode ser irritante se inalado. Na fase sólida, encontramos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos clorados (HPACs), uma classe de substâncias recentemente descoberta”, disse Catharino em entrevista à Agência Fapesp.

Segundo o pesquisador, o efeito mutagênico e carcinogênico de compostos correlatos aos HPACs, como os HPAs (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos), já está bem estabelecido na literatura científica. As principais fontes de exposição a esses mutagênicos são a poluição ambiental proveniente da queima de combustíveis fósseis e o cigarro.

A produção do trabalho é de grande expressão para a área. “A contribuição que realizamos como grupo de pesquisa originou novos questionamentos internacionais quanto à segurança térmica de aditivos adicionados em alimentos, medicamentos e até cosméticos”, conta Catharino. Segundo ele, “o Brasil possui cientistas de alto nível e está desenvolvendo análises de qualidade, com perguntas realmente impactantes cada dia mais”.

Produções anteriores haviam mostrado que a sucralose se degrada em altas temperaturas. Por isso, foi necessário para o grupo fazer um aprofundamento no tema, levantando na literatura o que já havia sido registrado. “É parte de nossa realidade científica obter artigos de base para perguntas e questionamentos internacionais. O melhor meio de ter acesso a essas informações é o Portal de Periódicos da Capes”, afirma o cientista, que divide a autoria do trabalho com os pesquisadores Diogo de Oliveira e Maico de Menezes.

Para Catharino, além do Portal de Periódicos, o apoio oferecido pela Capes à comunidade acadêmica também é importante. “Alguns dos meus alunos de mestrado e doutorado receberam bolsas, o que agradeço muito. Sem esses alunos e o apoio da Capes para as minhas pesquisas, nenhum estudo desenvolvido de forma impactante no meu grupo de trabalho seria possível”, declara. “Estou pronto para me candidatar em um edital com um projeto inovador, onde eu possa ajudar a responder perguntas de alta relevância científica”.

Com informações da Agência Fapesp



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