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Poluição atmosférica pode desencadear doenças neurodegenerativas


Quinta, 13 Outubro 2016

Poluição atmosférica pode desencadear doenças neurodegenerativas (Imagem: Google Imagens)Um recente estudo feito por pesquisadores do Reino Unido e do México identificou que a poluição do ar pode estar diretamente ligada a doenças neurodegenerativas, como o Mal de Alzheimer. O artigo “Magnetite pollution nanoparticles in the human brain” está disponível em texto completo no Portal de Periódicos da Capes, por meio da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os cientistas localizaram a presença abundante no cérebro humano de nanopartículas de magnetita – também presentes no ar urbano. Segundo a pesquisa, muitas das partículas de magnetita entram diretamente no cérebro. A descoberta é importante porque esses elementos podem responder a campos magnéticos externos e são tóxicos para o cérebro, sendo possível que isso tenha como consequência a produção de espécies reativas de oxigênio – que são associadas a doenças neurodegenerativas. Sendo assim, é preciso examinar a exposição às nanopartículas de magnetita como um possível risco para a saúde humana.

A magnetita está presente naturalmente em algumas partes do corpo, como forma de armazenar o ferro usado em diversos processos biológicos. Entretanto, análises microscópicas mostraram que, diferente da magnetita produzida pelo organismo humano, que tem um formato angular, a grande maioria das partículas encontradas era esférica, com diâmetros de até 150 nanômetros. Além disso, os fragmentos esféricos estavam frequentemente acompanhados por nanopartículas contendo outros metais, como platina, níquel e cobalto.

“As partículas que encontramos são notadamente similares às nanoesferas de magnetita que são abundantes na poluição do ar em ambientes urbanos, em especial próximo a ruas movimentadas, e que são formadas pela combustão ou pelo aquecimento por fricção em motores e freios de veículos”, destaca Barbara Maher, principal autora do trabalho, em entrevista ao jornal O Globo.

De acordo com os pesquisadores, partículas com menos de 200 nanômetros de diâmetro (para se ter uma ideia, um fio de cabelo tem uma espessura entre 80 mil e 100 mil nanômetros) são pequenas o suficiente para alcançarem o cérebro diretamente pelo bulbo olfativo e depois pelo nervo olfativo ao se respirar o ar poluído, sem precisar passar pelos pulmões e pela corrente sanguínea. “Nossos resultados indicam que as nanopartículas de magnetita na atmosfera podem entrar no cérebro humano, onde talvez se tornem um risco para a saúde”, conclui Maher.

A poluição atmosférica é um importante fator de risco à saúde de modo geral e, por isso, deve ser combatida. De acordo com relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio deste ano, 80% da população urbana do planeta está exposta a poluentes em quantidade superior aos limites recomendados. Só no Brasil, das 45 cidades avaliadas, 40 tinham ar considerado de má qualidade pela OMS, incluindo capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

Para acesso ao artigo completo, é preciso utilizar a opção Buscar periódico do Portal e inserir a sigla “PNAS”. O título é uma publicação oficial da National Academy of Sciences e contempla relatórios de pesquisas de ponta, comentários, opiniões, perspectivas e papéis colóquio com foco em ciências biomédicas, físicas, sociais e de matemática.

Com informações do jornal O Globo



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