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Núcleo central da amígdala é área do cérebro animal responsável por articular a caça


Quinta, 16 Fevereiro 2017

Em artigo na Cell, pesquisadores demonstraram que o núcleo central da amígdala é a região responsável por articular as diferentes habilidades envolvidas na perseguição e no abate de presas (Foto: Wikimedia Commons / Divulgação FAPESP))Uma região do cérebro conhecida como núcleo central da amígdala é a responsável por organizar as ações envolvidas na caça predatória de animais selvagens. É o que apresenta o estudo Integrated Control of Predatory Hunting by the Central Nucleus of the Amygdala, publicado recentemente na revista científica Cell – disponível no acervo do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

A pesquisa mostra que isso ocorre por meio de duas redes neuronais distintas: uma que organiza a perseguição e a captura da presa e outra que faz o controle motor necessário da mandíbula e do pescoço para que o predador consiga desferir a mordida fatal.  “A maneira modular pela qual o controle é exercido é relevante. O trabalho dá detalhes novos sobre o controle neural de músculos craniofaciais, o que pode contribuir para o entendimento de patologias que afetam essa região. Além disso, aplicações práticas no campo da engenharia, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de algorítmica robótica, estão sendo consideradas”, disse Ivan de Araujo, professor de Psiquiatria da Escola de Medicina de Yale (EUA), em entrevista à FAPESP.

Segundo os cientistas responsáveis pela análise, os resultados da pesquisa contribuem para quebrar um paradigma antigo na área de neurociências: o de que a amígdala central é a região responsável por organizar comportamentos relacionados ao medo – como, por exemplo, "congelar" diante de um predador maior ou virar de barriga para cima e demonstrar submissão a um membro hierarquicamente superior da mesma comunidade.

Nos experimentos iniciais, mostrou-se que, quando o núcleo central da amígdala era estimulado pela luz, em vez de surgirem comportamentos defensivos – que indicariam medo – os animais começavam a mastigar, mesmo sem ter qualquer alimento na boca. “Mostramos agora, de forma cabal, que esse [núcleo central da amígdala] é um centro para organizar comportamentos de caça. E, nesse sistema, pode haver mecanismos que façam o animal parar de caçar em condições ambientais adversas. Então, o que antes se interpretou como medo, poderia ser apenas um sinal para o animal parar de caçar por falta de condições favoráveis”, avaliou Newton Canteras, que também participou do artigo.

O estudo Integrated Control of Predatory Hunting by the Central Nucleus of the Amygdala foi apoiado pela FAPESP. Para acessá-lo, é necessário entrar na opção Buscar periódico do Portal e procurar o título “Cell” (volume 168) ou inserir o título do artigo na opção Buscar assunto. A publicação envolve áreas de biologia experimental, incluindo biologia celular, biologia molecular, neurociência, imunologia, virologia e microbiologia, câncer, genética humana, biologia de sistemas, sinalização e mecanismos de doenças e terapêutica. O critério básico para admissão de trabalhos é o fornecimento de avanços conceituais significantes ou o levantamento de perguntas e hipóteses sobre questões de biologia.

Com informações da FAPESP



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