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Compostos químicos são responsáveis por aroma e sabor do café
A qualidade do “cafezinho nosso de cada dia” depende de muito mais fatores do que se pode imaginar. Um novo estudo, que conta com a participação de cientistas de instituições brasileiras, revela que alguns compostos químicos definem o aroma e o sabor de uma das bebidas mais apreciada do mundo: o café. Os resultados do artigo científico Diterpenes biochemical profile and transcriptional analysis of cytochrome P450s genes in leaves, roots, flowers, and during Coffea arabica L. fruit development estão disponíveis no volume 111 da revista científica Plant Physiology and Biochemistry (PPB), acessível pelo Portal de Periódicos da CAPES.
Para Luiz Filipe Protasio Pereira – especialista da Embrapa Café e um dos autores do artigo –, um dos principais impactos da pesquisa para a população é referente ao consumo voltado para a saúde. “Os compostos encontrados no café possuem propriedades antioxidantes, antitumorais, antiinflamatórias e neuroprotetoras. Portanto, um aumento na concentração dessas substâncias pode ser desejável do ponto de vista do consumidor”, alega o pesquisador.
Segundo ele, as duas principais substâncias encontradas – caveol e cafestol – são bioquimicamente parecidas, mas alguns estudos demonstraram que, quando se consome muito café sem filtro, pode ocorrer um aumento indireto no nível de colesterol associado ao cafestol. “O caveol e o cafestol estão associados à qualidade do café (aroma e sabor), sendo que é importante ter um equilíbrio dos dois. Devido às suas propriedades, existe também o uso industrial destes compostos, com várias patentes pelas indústrias farmacêutica e cosmética”, revela Pereira.
O processo para que o café seja de alta qualidade tem início desde o plantio. “O manejo correto dos cafezais auxilia no equilíbrio da produção dos compostos e no bom funcionamento fisiológico da planta. Caso a planta encontre dificuldades ambientais (estresses bióticos e/ou abióticos), será necessário um remanejamento energético para enfrentar esse ‘problema’ e, como consequência, ela pode aumentar ou reduzir a produção das substâncias”, explica Pereira. “A definição da qualidade do café não depende de fatores individuais, mas da combinação adequada destes”, ressalta.
O trabalho não para por aqui. O grupo de estudo pretende dar continuidade à análise para elucidar toda a via de biossíntese das substâncias e as diferenças para produção de caveol e cafestol. “Estamos trabalhando com algumas ferramentas para alcançar esses objetivos, como, por exemplo, clonagem e expressão heteróloga de proteínas de cada gene candidato. Também estamos trabalhando na caracterização dos diterpenos e de outros compostos em cultivares cafeeiros provenientes da Etiópia, centro de origem da espécie. Essas informações, em longo prazo, irão facilitar os trabalhos de melhoramento, visando alteração no padrão dos compostos”, detalha Luiz Filipe Pereira.
Para a execução do trabalho, Pereira afirma a relevância do Portal de Periódicos da CAPES. “O Portal é a principal ferramenta para acessarmos periódicos e artigos no dia a dia da pesquisa. É uma ferramenta importantíssima para busca e divulgação de conhecimento científico”, conta.
Ele também relata o apoio da CAPES no projeto: “a CAPES foi fundamental para o desenvolvimento do trabalho. A primeira autora, Suzana Tiemi Ivamoto, recebeu bolsa do edital CAPES-Embrapa por três anos durante o doutorado, no curso de Biologia e Genética Molecular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e no último ano recebeu uma bolsa do programa Ciências Sem Fronteiras para um sanduíche na University of British Columbia (Vancouver, Canada). Também tivemos recursos de dois projetos do CAPES-Agrópolis, que permitiu uma intensa interação entre nosso grupo de trabalho e os parceiros franceses”.
Alem da CAPES, a pesquisa teve financiamento do Consórcio Pesquisa Café e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café (INCT Café). O estudo também conta com autoria de Leonardo Sakuray (IAPAR / UEL)), Lucia Ferreira (IAPAR), Cíntia Kitzberger (IAPAR), Maria Scholz (IAPAR), Thierry Leroy (Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique Pour le Développment – França), Luiz Vieira (UNOESTE) e Douglas Domingues (UNESP).
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